imensidões e pequenezas
Já contei esta história para algumas pessoas. Nos últimos meses, ela veio à tona com a força da incredulidade pelo tempo passado, este que coloca as lembranças como fatos tão distantes que parecem memórias inventadas. Eu era uma criança de oito ou nove anos que acordava no meio da noite por causa de algum mosquito zumbindo em meus ouvidos. Despertava e não conseguia mais dormir. Não me lembro de quantas vezes isso aconteceu. Talvez tenha sido apenas uma, mas suficiente para me estranhar e me conhecer. Quando o mosquito me fazia acordar sem chance de voltar a dormir logo, eu entrava em uma espiral de pensamentos que me deixavam cada vez mais desperta e em pânico. Eu partia do meu núcleo familiar e viajava até o Universo, querendo encontrar suas “paredes”. Precisava entender onde a Terra se localizava, para compreender a dimensão da minha existência familiar. Ao não encontrar os limites do espaço, o planeta onde eu vivia com minha família se mostrava como algo ínfimo numa reali...