peixe frito
Meu irmão partiu num dia 3, no dia 3 de maio de 2021. Ainda parece mentira. Quando escrevo esse fato, me parece que vou despertar de um sonho, que algo surpreendente vai acontecer e revelar que ele, na forma como eu conheço, ainda está aqui. "Para mim, esse guri está por aí", como diz minha mãe, explicando como suporta. A morte é um destino certo, mas a percepção sobre a partida de alguém que amamos é absurda. É como se o corpo se colocasse em estado de coma cada vez que se cai no abismo da ausência, da dor, da saudade do que não foi. Passo grande parte do meu tempo buscando alternativas de distração e sou capaz de sorrir em muitos momentos dos meus dias. Em muitos outros, choro. Em muitos outros, tento encarar e repousar na realidade. No último dia 3, quando se completaram seis meses da partida do meu irmão, acordei e decidi que não faria nada. Não pensaria na lista de tarefas adiadas; não pensaria nas preocupações, nem nas inseguranças. Fazia sol e quis aproveitar o dia na ...