Eu sou Andressa
Esses dias, antes da pandemia, eu fui ao samba. Dancei livremente com quem me chamou para dançar e também com quem convidei a uma dança. Uma dessas pessoas, como é comum acontecer, entendeu que aquilo poderia ser o início de um flerte. Perguntou meu nome e o que eu fazia. Pelo volume do som e das conversas no ambiente, não pude brincar com a pergunta, respondendo coisas do tipo: me divirto, cozinho, trabalho, pedalo, viajo. “Ora, o que eu faço? Muitas coisas”, pensei. Respondi, pela primeira vez na vida diante destas circunstâncias: “Eu sou padeira”. “Padeira?”, ele me perguntou surpreso, “Sim”, respondi, “Não parece”, disse ele. Eu sorri, incomodada, e fiquei pensando em como se parece uma padeira. Qual será o estereótipo da padeira? Antes de ir embora, este homem me deu seu número (sem que eu pedisse) por meio de um cartão profissional que poderia ser impressionante. Nunca lhe escrevi ou liguei. Por que somos o que fazemos e o que fazemos se resume ao nosso emprego? Por que o sen...